quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

a árvore, a lágrima e a ideia de adeus

Final de uma manhã de uma sexta-feira de janeiro ainda ensolarada. Encontro meu amigo no centro da cidade e damos um passeio. Sé, Anhangabaú. Rua Sete de Abril. Compro um rolo de filme para minha câmera e subimos a Consolação e, depois de almoçarmos fomos assistir àquela que parecia ser nossa última sessão no cine Belas Artes – que agora finaliza suas atividades dia 28 de fevereiro. Sendo assim, essa crônica não diz respeito ao último filme que assisti, mas da sensação de último, de despedida, de adeus.

Assistimos A árvore, dirigido por Julie Bertuccelli. Bela fotografia de Nigel Bluck, bela Charlotte Gainsbourg. Mas o que prevaleceu em meus pensamentos foi aquela ideia de final. Fotografei alguns ambientes do cinema de rua que está há 68 anos compartilhando com seus frequentadores incríveis histórias e emoções, provocando lágrimas e sorrisos das mais variadas cores e sabores.

Minha tristeza (e com certeza a de muitos ali) se tornou visível no final do filme. Créditos na tela. Luzes já acesas. Escuto o som de alguém chorando. Uma garota de vinte e poucos anos ou um pouco mais que isso, derramava as lágrimas de todos ali. Soluçava. Sem fazer questão nenhuma de esconder sua dor.

O filme não foi triste. Quer dizer. Não seria triste se não fosse o último. Aquela garota que jamais vou me esquecer chorou a dor da perda. Ela foi a última a sair da sala, esperou cair no chão a última lágrima.

A chuva também caía lá fora. A garota tirou o guarda-chuva de sua bolsa e foi embora. Embora para nunca mais.

Eu sei. É um drama.

Mas não é um filme.

A gente queria que fosse. Mas.

E o que resta são as histórias guardadas na memória de cada um.

É um cinema de rua a menos. Conto nos dedos os que ainda sobraram.

Também posso contar nos dedos os dias que faltam para o Belas Artes fechar as suas portas.

O que não conseguiria fazer se fosse tentar contar o número de Cinemarks espalhados pelos shoppings da cidade...

Sabe aquele filme que você torce para nunca acabar?

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